Perfis desejados: o racismo velado nas filas de adoção: adoção e a representação do racismo estrutural no Brasil

dc.contributor.advisorBatista, Waleska Miguel
dc.contributor.authorScuro, Bianca Furlan
dc.contributor.authorQuessada, Daniela Motta
dc.contributor.authorTrevisan, Maria Eduarda
dc.contributor.authorSilva, Maria Eduarda Pereira da
dc.contributor.authorOliveira, Mariana Leite de
dc.contributor.authorMaldonado, Nina
dc.date.accessioned2026-05-14T18:12:47Z
dc.date.issued2025
dc.description.abstractA cartilha “O Racismo Velado nas Filas de Adoção” é mais do que a apresentação de um material informativo: é um convite à consciência, à responsabilidade e ao compromisso coletivo com a vida de crianças que, há décadas, enfrentam barreiras silenciosas no caminho para o acolhimento familiar. As estatísticas persistem ao longo dos anos — e estão reunidas neste material. Crianças negras, sobretudo meninos e as mais velhas, são frequentemente preteridas, permanecendo por mais tempo institucionalizadas e enfrentando um ciclo de vulnerabilidades que se inicia muito antes de qualquer decisão jurídica. Essa realidade, entretanto, raramente é nomeada pelo que é: uma expressão direta do racismo estrutural, que classifica corpos, define destinos e produz desigualdades desde a infância. O racismo que opera nas filas de adoção não costuma ser explícito. Ele se manifesta na forma de preferências, justificativas, expectativas e receios que parecem individuais, mas que ecoam padrões históricos. É o racismo velado, que organiza afetos e escolhas, ainda que não se declare como tal. Quando famílias preferem bebês brancos, evitam crianças negras maiores ou associam pele escura a risco, dificuldade ou distância, estão repetindo — muitas vezes sem perceber — camadas profundas de discriminação que atravessam nossa sociedade desde sua formação E essa dinâmica tem consequências graves. Para as crianças negras, significa esperar mais, mudar repetidas vezes de instituição, conviver com rupturas, faltas e a sensação precoce de não ser escolhida. Significa carregar, ainda na infância, marcas de rejeição que não pertencem a elas, mas a um sistema que insiste em desigualar. Para a sociedade, significa perpetuar ciclos de exclusão que começam no berço e se estendem pela juventude e vida adulta. O futuro racial do país se desenha nas oportunidades — ou na ausência delas — oferecidas hoje. Quando negligenciamos essas crianças, negamos a nós mesmos a possibilidade de construir uma sociedade mais justa, fraterna e verdadeiramente democrática. Esta cartilha, portanto, nasce como uma ferramenta de visibilização e formação. Ela ilumina aquilo que muitas vezes preferimos não ver; provoca reflexão entre famílias, instituições, profissionais e estudantes; amplia a compreensão sobre o racismo estrutural e sobre o impacto que escolhas cotidianas têm na vida de milhares de crianças. Registro minha profunda gratidão ao Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros: Dra. Nicéia Quintino Amauro e, especialmente, à nossa querida Edna Lourenço, cuja presença já no dia do lançamento provocou, inspirou e encaminhou ações essenciais para transformar consciência em prática social. Educar para essa realidade é essencial. A educação amplia percepções, desconstrói preconceitos, forma consciências e abre horizontes. Ao produzir este material, nossas estudantes demonstram que a universidade é — e deve ser — um espaço de análise crítica, compromisso social e transformação humana. Seu trabalho revela maturidade intelectual, sensibilidade e, sobretudo, coragem para enfrentar temas que exigem responsabilidade ética. Agradeço profundamente à professora Waleska Miguel Batista, que teve a iniciativa e a valentia de trazer esse tema para a sala de aula. Esperamos que muitas e muitos sigam seu exemplo — e o exemplo da Faculdade de Direito da PUC-Campinas. É motivo de orgulho reconhecer o empenho dessa equipe de professora e alunas, que compreendeu que o conhecimento não é neutro: ele pode — e deve — servir ao bem comum. Ao colocar a serviço da sociedade este estudo sobre o racismo nas filas de adoção, reafirmam a potência da educação como caminho para a construção de um país mais justo. Porque, ao final, educar é um ato de esperança. É acreditar que podemos romper ciclos históricos de desigualdade, transformar mentalidades e criar uma cultura do cuidado que acolha todas as crianças como iguais em dignidade. É confiar que, por meio do conhecimento e da consciência, podemos preparar um futuro no qual nenhuma criança espere mais por causa da cor da sua pele. Aprendi muito com esta cartilha. A vida é sempre um aprendizado — e tive a alegria de estar presente no lançamento, onde descobri, inclusive, o uso do verbo “adoçar” nessa situação de “adoção”, a partir da indicação de um livro que integra as indicações de leitura deste material. É sobre isso: que a vida seja cada vez mais “adoçada” para todas as nossas lindas crianças deste Brasil. Que esta cartilha circule, sensibilize, informe e inspire. E que continuemos, juntos, tecendo caminhos de justiça, equidade e fraternidade.
dc.identifier.citationBATISTA, Waleska Miguel, et al. Perfis desejados: o racismo velado nas filas de adoção: adoção e a representação do racismo estrutural no Brasil. Campinas: Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), 2025.
dc.identifier.urihttps://repositorio.sis.puc-campinas.edu.br/handle/123456789/4688
dc.language.isopt
dc.publisherPontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)
dc.subjectRacismo velado
dc.subjectAdoção - Brasil
dc.titlePerfis desejados: o racismo velado nas filas de adoção: adoção e a representação do racismo estrutural no Brasil
dc.typeE-book
person.identifier.orcid0000-0001-6700-9577
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