Repositório Institucional PUC-Campinas
O objetivo do Repositório Institucional PUC-Campinas é armazenar e preservar a produção científica, técnica, administrativa e artística da Universidade, promovendo o acesso aberto e contribuindo com a divulgação dos trabalhos e pesquisas desenvolvidos na PUC-Campinas.

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Item type:Item, Access status: Acesso aberto , Extensionalizando a extensão: conhecer, agir e emancipar(Editora Splendet, 2025) Plácido, Vera Lucia dos Santos; Nogueira, Alessandra BorinUm diálogo possível (...) A Extensão Universitária possui caraterísticas inerentes ao seu fazer, independente do contexto político, econômico, ideológico e cultural da sociedade. Uma dessas característica é a compreensão de que ela está intimamente relacionada ao sentido da Universidade. Desta forma, à medida em que é colocada em prática, nas entrelinhas, o que se apresenta é se a Universidade é próxima ou não da sociedade, das comunidades que a circunvizinham, dos conflitos próprios de diferentes grupos sociais, das demandas sociais e territoriais e do diagnóstico das potencialidades, especialmente de grupos sociais mais vulnerabilizados, dentre outras dimensões em que ela, naturalmente, se aproxima. Aqui, entende-se o sentido não apenas como a Missão Institucional, mas, tão importante quanto, é a forma como a Universidade, tornada conteúdo, se aproxima de um universo que é complexo – o social - e dialoga com ele em outras perspectivas que não seja a vertical, de transposição do conhecimento, da submissão do outro a um saber que ele, tão pouco, é capaz de avaliar as consequências. A Extensão Universitária, consciente de si e da tríade ensino-pesquisa-extensão, é aquela atitude da Universidade em se colocar no chão dos territórios, em se aproximar das pessoas e ser, também, a sua voz, em se preocupar com mudanças quanti e qualitativas em suas vidas, em associar-se à empiria, ao técnico, ao científico, ao teórico e ao prático, num processo reconhecidamente educativo. Justamente por ser educativo, ensina, aprende, transpõe e se transforma e isso acontece com todos os envolvidos. Docentes que se aproximam da extensão universitária, em pouco tempo, entendem que o conhecimento técnico deve se somar a outros saberes; discentes que desenvolvem ações extensionistas, logo entendem que ela, per si, não é protagonista, mas valoriza o protagonismo do trabalho em equipe; comunidades e parceiros que estão envolvidos nos projetos, num curto período, compreendem que os tempos institucionais não são os mesmos e que os ajustes são também ferramentas de aprendizado; gestores institucionais, sempre preocupados com a avaliação e os resultados, pela característica própria da função, aprendem que a extensão é a estrutura de muitas formas de avaliação e, nem todas, são quantitativas. Esse exercício de aprendizagem, que não se fecha em si mesmo, pelo contrário, se abre no encontro com o outro, é o que entendemos como dialogicidade que, em outras palavras, é a base para a metodologia extensionista. Não há extensão sem diálogo estabelecido a partir do reconhecimento que o outro existe e, na sua existência, é sabedor das suas dores, suas histórias, suas conexões e suas potencialidades. O outro, tornado alguém, é vida preenchida e que se preenche dia a dia, no cotidiano e nas suas relações. Nessa perspectiva, sem o diálogo, o outro se torna ninguém e esta atitude o precariza, o amarra às condições que não escolheu e o torna vítima de um sistema que o acorrenta na colonização e na opressão. Sem o diálogo, só há vazios e infertilidade; não há transformações. Por isso, o diálogo, estabelecido como metodologia é também aproximação, vínculo afetivo, respeito, amorosidade, ponte entre saberes; é democratização do conhecimento, é a Universidade se colocando em saída. A partir do diálogo, entendido como base metodológica para a escuta e o diagnóstico, é possível estabelecer conexões, perceber coletividades a partir de identidades, mapear demandas, prospectar alternativas conjuntas. Nesse sentido, os saberes se constroem na interdisciplinaridade e na interprofissionalidade que, a partir de aproximações constantes e diversas, os impactos serão percebidos, tanto na formação dos alunos quanto para as comunidades e parceiros envolvidos, em diferentes tempos. Assim, a interação dialógica é uma base sobre a qual não se pode afastar durante a atividade extensionista; é ela que nos garante estar com o outro, de forma permanente e efetiva. Com essa premissa em tela, este E-book materializa as diversas experiências de Extensão Universitária ao longo deste ano de 2025, orientadas pela Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós-Graduação e Extensão da PUC-Campinas. Com ele, esperamos contribuir para a memória da Extensão na nossa Universidade, que sempre a praticou com seriedade, respeito e competência em seus projetos. Esperamos também que, ao lê-lo, o leitor perceba que a Extensão PUC-Campinas é eclética e difusa e que, ao ser assim, se revela na totalidade da complexidade dos nossos territórios. Desta forma, traz experiências com mulheres, com profissionais de abordagem social, com jovens, com pessoas 60 + retratando diferentes perspectivas de diálogo, de interação, de validação dos nossos resultados. Desta forma, todos os textos apresentados são resultados próprios da empiria da Extensão Universitária. Assim, sua escrita não segue um padrão normativo rígido, pelo contrário, o processo criativo que é a linha condutora dos projetos se faz presente em cada escrita, afirmação e apresentação de evidências. Por isso a responsabilidade de sua escrita cabe aos seus autores, respeitando-se sempre a interface - universidade parceiros-comunidades envolvidas. Por fim, desejamos que este E-book seja inspirador e esperançoso. Sem essas duas dimensões da natureza humana, a extensão universitária pode se tornar apenas mais um fazer que, até pode implicar em números, mas nunca em vidas transformadas. Verão de 2025 Profa. Alessandra Borin Nogueira Profa. Vera PlacidoItem type:Item, Access status: Acesso aberto , Águas na cidade e soluções baseadas na natureza: estudo de caso do córrego São Sebastião, Barretos/SP(Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), 2025-01-27) Calil, Maria Clara de Oliveira; Luz, Vera SantanaAo longo do processo de urbanização, os corpos d´água foram desconsiderados e, conforme se deu a expansão urbana, os rios tiveram seus perfis alterados. A cidade de Barretos, interior do Estado de São Paulo, apresenta sua malha urbana cortada por córregos canalizados e retificados, o que, em dias de chuvas intensas, favorece a ocorrência de desastres socioambientais. Os corpos hídricos da cidade pertencem à Bacia Baixo Pardo Grande (UGRHI-12), sendo o Córrego do Aleixo o principal córrego da cidade, com afluentes em zonas rurais e urbanas. A presente pesquisa busca atuar em solo urbano e considera que qualificar o território de um afluente seja uma solução imediata e factível de qualificação urbana, restauração de ecossistemas, dos corpos hídricos e de suas margens no âmbito local, bem como, uma manifestação exemplar, no sentido de sua potência de replicabilidade. O estudo de caso elencado para discussão de metodologia de requalificação urbana, o afluente Córrego São Sebastião, se encontra parcialmente a céu aberto e inserido em uma malha urbana consolidada. O objetivo da pesquisa, a partir de uma leitura territorial multiescalar, foi investigar a situação atual do Córrego São Sebastião e ensaiar a revitalização dos espaços urbanos, tendo a metodologia fundamentada na análise urbano regional baseada em referências como o Zoneamento Ecológico Econômico e o Relatório de Qualidade Ambiental do Estado de São Paulo, em princípios e ações estabelecidas pelas Soluções Baseadas na Natureza (SbN), no cotejamento de analogias, no diagnóstico do Córrego São Sebastião e definição do recorte circunstanciado. A estruturação de diretrizes e ensaios espaciais para aplicação de infraestruturas verdes e azuis, como a drenagem ecológica e a arborização urbana, trouxe, como resultados, as soluções de melhor convivência com o sistema hídrico conformaram um acervo sistematizado para o estudo de caso, como piloto, e constituíram uma metodologia fundamentada e passível de replicação sistêmica no próprio município ou para situações análogas, considerando suas especificidades, no sentido de relações de maior equilíbrio entre o espaço urbano e os sistemas naturais.Item type:Item, Access status: Restrito , AEIT Angra Doce: da paisagem cultural à economia criativa em Área Especial de Interesse Turístico(Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), 2025-12-11) Briani, Lara Papin; Ferreira, Jane VictalA Área Especial de Interesse Turístico (AEIT) Angra Doce, instituída pela Lei Federal n. 13.921/2019, é a primeira AEIT em nível federal e abrange o reservatório da Usina Hidrelétrica de Chavantes e quinze municípios na divisa entre São Paulo e Paraná. A construção da barragem (1959–1970) provocou alterações ambientais e socioterritoriais significativas, como o alagamento de áreas produtivas e o deslocamento de populações ribeirinhas. No contexto atual, políticas públicas de incentivo ao turismo, como a que instituiu a AEIT, intensificam a tendência de transformar a paisagem em produto, muitas vezes desconectada das vivências e identidades locais. Frente a esse cenário, esta dissertação analisa como a articulação entre os conceitos de Paisagem Cultural e Economia Criativa pode contribuir para um modelo de desenvolvimento territorial que valorize o sujeito comum e integre dimensões materiais e simbólicas do território. A fundamentação teórica apoia-se na concepção de paisagem cultural de Joaquín Sabaté Bel e Joan Nogué, entendida como construção social e bem comum, e nas teorias de desenvolvimento de Celso Furtado e Amartya Sen, que associam desenvolvimento à cultura e à ampliação de liberdades. Metodologicamente, a pesquisa combina levantamento bibliográfico, análise documental e trabalho de campo, utilizando a análise morfológica em camadas desenvolvida pelo Departamento de Urbanismo, Território e Paisagem da Universitat Politècnica de Catalunya (UPC). A leitura territorial integrou dados institucionais e o inventário de patrimônios materiais e imateriais produzidos pela ONG Cânions Paulista. Os resultados identificaram nove eixos temáticos derivados das vocações locais, que orientam propostas preliminares para rotas turísticas integradas e para um modelo de governança colaborativa inspirado no conceito de Estado-Rede. Conclui se que a economia criativa, articulada à leitura da paisagem cultural, pode fortalecer a identidade territorial, promover coesão social e apoiar práticas de modelos de turismo regenerativo.Item type:Item, Access status: Acesso aberto , Escolhas e influências projetuais de Irineu Breitman: a formação coletiva do pensamento arquitetônico hospitalar na segunda metade do século XX(Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), 2025-12-01) Galvão, Chayane; Silva, Jonathas Magalhaes Pereira daNesta pesquisa investiga-se a possibilidade de compreensão do processo conceitual de projeto arquitetônico por meio da análise de desenhos, identificando assim o pensamento projetual voltado para soluções que podem vir a contribuir para um novo processo conceptivo projetual. A pesquisa toma como objeto de análise a obra do arquiteto Irineu Breitman, cuja produção relevante no campo da saúde, é centrada na região sul do Brasil e permanece pouco documentada. Sua produção ilumina grande potencial investigativo frente ao processo de projeto arquitetônico hospitalar. A hipótese secundária sugere que é possível entender o espaço e o tempo de atuação do autor ao examinar as ações coletivas da época, o que permite delinear conjuntamente a evolução do espaço de saúde, desassociando a concepção inovadora de um único agente. Para tal esta pesquisa foi fundamentada em documentos projetuais primários e na diversificação de fontes referenciais teóricas. Foram empregadas fontes com origens diversas que permitiram uma melhor análise projetual. Os resultados obtidos até aqui revelam uma linearidade e coesão no processo de concepção adotado por Irineu Breitman, com decisões que mantêm um objetivo comum, sem resultar em repetições formais ou estéticas. As investigações conduzidas pelo arquiteto a respeito dos avanços de procedimentos médicos, das alternativas arquitetônicas e do contexto urbanístico, estacam-se como um diferencial relevante em suas soluções projetuais, o que nos leva a concluir que seus sucessos são fruto de influências coletivas ou normativas. As análises sugerem que parte significativa de sua atuação dialoga com ações e saberes compartilhados da época. O estudo da arquitetura hospitalar revela-se como um campo fértil para investigações futuras. Com isso, acredita-se que compreender os processos de projeto nesse tipo de edificação possa contribuir não apenas para o aprimoramento da prática profissional, mas também para novas abordagens no ensino da arquitetura.Item type:Item, Access status: Acesso aberto , Práticas urbanas: as intervenções do “Arte/Cidade” em São Paulo(Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas), 2026-02-10) Xavier, Gabriel da Silva; Dedecca, Paula GorensteinA presente pesquisa tem como objetivo analisar as intervenções artísticas do grupo “Arte/Cidade – Grupo de Intervenções Urbanas” na cidade de São Paulo, entre os anos de 1994 e 2002, e discutir em que medida elas podem ser compreendidas como práticas urbanas. A metodologia empregada é de abordagem histórica, partindo de pesquisas bibliográficas, documentais e de campo. Os eventos implementados pelo grupo se caracterizaram como intervenções urbanas, mediante propostas de projetos arquitetônicos e artísticos que aconteceram em quatro edições: o “Cidade sem Janelas”, realizado no antigo matadouro da Vila Mariana (1994), a “Cidade e seus Fluxos”, realizado em três edifícios da região central da cidade e no Vale do Anhangabaú (1994), “A Cidade e suas Histórias”, que tinha como ponto de partida a Estação da Luz e um trecho ferroviário na região Oeste (1997), e o último, “Zona Leste”, ocupando uma grande parte da região Leste de São Paulo (2002). Quanto aos objetivos específicos, que correspondem à estruturação dos capítulos, tratou-se de; i) examinar os conceitos relacionados à atuação das artes nas cidades, às intervenções urbanas, e às práticas urbanas; ii) investigar o caráter e as características dos quatro eventos; e por fim, iii) revisitar os territórios das intervenções para construir uma leitura crítica da cidade atual, comparando as situações observadas pelo Arte/Cidade. As intervenções buscaram explorar a diversidade e a dinâmica dessas áreas, aspecto que a pesquisa analisa criticamente a partir de seus efeitos e limites. Nesse sentido, a pesquisa investiga em que medida a experiência do Arte/Cidade pode ser compreendida não apenas como um evento artístico, mas como um dispositivo crítico capaz de produzir leituras sensíveis e simbólicas sobre a cidade, discutindo seus limites enquanto prática urbana.
