Prematuridade e atraso de fala e linguagem: revisão de literatura

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Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)

Resumo

Introdução: Todo recém-nascido vivo com menos de 37 semanas de idade gestacional, é classificado como prematuro ou pré-termo, e aspectos relacionados a essa condição podem resultar em atrasos de desenvolvimento da linguagem. Objetivo: Realizar revisão de literatura voltada ao desenvolvimento das habilidades comunicativas de crianças prematuras. Método: Revisão integrativa de literatura, qualitativa e exploratória, de artigos científicos originais publicados na íntegra nos dez últimos anos. Consultadas as bases de dados LILACS, PubMed e SciELO, utilizando-se descritores em saúde (DeCS): prematuridade, desenvolvimento da linguagem, linguagem infantil, atraso da linguagem e aquisição da linguagem, combinados por meio do operador booleano “AND”. Inicialmente, foram identificados 321 estudos, após aplicação de filtros, submissão ao teste de relevância visando-se atender aos critérios de inclusão, selecionaram-se sete estudos. Resultados e Comentários: 45% das crianças prematuras apresentaram dificuldade em participar e manter as atividades dialógicas e narrativas, dificuldades na iniciação da conversação e na troca de turno, uma minoria (15%) realiza relatos, 39,13% tiveram desempenho abaixo do esperado em relação à linguagem receptiva e expressiva. Crianças prematuras extremas (idade gestacional inferior a 28 semanas) tiveram desempenho de linguagem inferior quando comparadas a crianças nascidas a termo e prematuros moderados-tardios, principalmente nas funções comunicativas de pedido de objeto, pedido de rotina social, protesto, reconhecimento do outro, reativos, não focalizado, exploratória, narrativa, expressão de protesto e jogo compartilhado, havendo preferência para uso de gestos. Ao nível fonológico foram observadas redução de sílaba; harmonia consonantal; plosivação de fricativas; posteriorização para velar; posteriorização para palatal; frontalização de velares; frontalização de palatal; simplificação de líquida; simplificação de consoante final. Isso, compromete a inteligibilidade da fala, a interação social e até mesmo o processo de aprendizagem. Ao nível lexical, os prematuros apresentaram desempenho semelhante ao de crianças a termo. Ao nível pragmático-discursivo também se observou prejuízo, com baixo desempenho nas funções comunicativas de pedidos, protestos e relatos, e grande porcentagem de crianças pré-termo com dificuldade em iniciar e manter atividades dialógicas e narrativas e dificuldade na iniciação da conversação e na troca de turno. Em contrapartida, crianças prematuras estimuladas corretamente apresentaram desempenho esperado para a idade em relação à linguagem, no que tange aos aspectos auditivo-expressivo, auditivo-receptivo e auditivo-receptivo visual. Considerações Finais: Evidenciados impactos negativos no desenvolvimento da linguagem de crianças prematuras, principalmente aquelas extremas. O desenvolvimento da linguagem dessas crianças está também na dependência da qualidade dos estímulos oferecidos ao longo dos primeiros anos de vida. Isso aponta para à relevância da orientação e acompanhamento de profissionais especializados e dentre eles os fonoaudiólogos.
Introduction: Every live newborn born before 37 weeks of gestational age is classified as premature or preterm, and aspects related to this condition can result in language development delays. Objective: To conduct a literature review focused on the development of communication skills in premature infants. Method: An integrative, qualitative, and exploratory literature review of original scientific articles published in full in the last ten years. The LILACS, PubMed, and SciELO databases were consulted using the health descriptors (DeCS): prematurity, language development, child language, language delay, and language acquisition, combined using the Boolean operator "AND." Initially, 321 studies were identified. After applying filters and submitting them to relevance testing to meet the inclusion criteria, seven studies were selected. Results and Comments: 45% of premature infants had difficulty participating in and maintaining dialogic and narrative activities, as well as difficulty initiating conversations and taking turns. A minority (15%) reported on their speech. 39.13% performed below expectations in receptive and expressive language. Extremely premature infants (gestational age less than 28 weeks) had poorer language performance compared to full-term and moderately-late premature infants, particularly in the communicative functions of object request, social routine request, protest, recognition of others, reactive, non-focused, exploratory, narrative, protest expression, and shared play, with a preference for gestures. At the phonological level, syllable reduction; consonant harmony; fricative plosives; velar backing; palatal backing; velar fronting; palatal fronting; liquid simplification; and final consonant simplification were observed. This compromises speech intelligibility, social interaction, and even the learning process. At the lexical level, premature infants performed similarly to full-term infants. At the pragmatic-discursive level, impairments were also observed, with poor performance in the communicative functions of requests, protests, and reports, and a large percentage of preterm infants having difficulty initiating and maintaining dialogic and narrative activities, as well as difficulty initiating conversations and taking turns. In contrast, correctly stimulated premature infants performed at the expected age-specific language performance in auditory-expressive, auditory-receptive, and auditory-receptive-visual domains. Final Considerations: Negative impacts on the language development of premature infants, especially those born extremely premature, were evident. The language development of these children also depends on the quality of the stimuli provided throughout the first years of life. This highlights the importance of guidance and monitoring by specialized professionals, including speech-language pathologists.

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FAGIAN, Isabelle; ESTEFANELI. Prematuridade e atraso de fala e linguagem: revisão de literatura. 2025. 78 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Fonoaudiologia) - Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2025.

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