Violência escolar e criminologia: contribuições da Escola de Chicago

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Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas)

Resumo

Presente em muitas instituições, a violência também se encontra nas escolas, de modo que se faz necessária a análise de tal fenômeno comportamental a partir das contribuições advindas da Escola de Chicago, que é capaz de analisar os fatores potencializadores de diversos problemas sociais. Até mesmo porque, a partir da Escola de Chicago, inaugurou-se um novo campo de pesquisa sociológica, centrado exclusivamente nos fenômenos urbanos, sobretudo no campo comportamental, ou seja, em como o indivíduo age em sociedade depois da explosão demográfica nos grandes centros urbanos. Surge, então, a chamada criminologia ambiental, na qual se verifica que o meio social pode ser o causador ou o incentivador do crime e do criminoso. E, nesse contexto de expansão demográfica, a escola, como uma instituição tradicional, acaba sendo afetada quando floresce em cenário de violência urbana e desorganização social. Assim, nos locais urbanos onde há maior incidência de criminalidade, incide a redução da capacidade das escolas em exercer o controle social informal sobre os jovens. Desse modo, desvantagens estruturais onde determinadas escolas estão inseridas nos centros urbanos se relacionam com o aumento da delinquência e da criminalidade jovem, especialmente dentro do próprio ambiente escolar. Nesse enfoque, os comportamentos violentos observados no ambiente escolar não são interpretados como desvios isolados ou resultantes exclusivamente de falhas morais dos estudantes, mas como expressões de processos sociais mais amplos, relacionados à organização (ou desorganização) do espaço urbano, às dinâmicas territoriais e à fragilização dos mecanismos de controle social informal Conclui-se, então, que a Escola de Chicago permite compreender a violência escolar não como fenômeno isolado ou restrito a condutas individuais, mas como manifestação de processos estruturais de desigualdade, fragmentação urbana e enfraquecimento das redes comunitárias; aspectos centrais para a formulação de políticas públicas preventivas. Em termos metodológicos, para a realização do presente estudo, foi realizada uma pesquisa documental com apoio de revisão bibliográfica sobre a violência escolar sob a ótica da Escola de Chicago.
Abstract Present in many institutions, violence is also found in schools, which makes it necessary to analyze this behavioral phenomenon based on the contributions of the Chicago School of Sociology, as it is capable of examining the factors that intensify various social problems. Moreover, the Chicago School of Sociology inaugurated a new field of sociological research centered exclusively on urban phenomena, especially in the behavioral sphere—that is, on how individuals act in society after the demographic explosion in large urban centers. Thus emerged what is known as environmental criminology, in which the social environment is understood as a potential cause or incentive for crime and criminal behavior. Within this context of demographic expansion, the school, as a traditional institution, is ultimately affected when it develops within a scenario marked by urban violence and social disorganization. Accordingly, in urban areas with higher levels of criminality, there is a reduction in the capacity of schools to exercise informal social control over young people. In this sense, the structural disadvantages of certain schools located in urban centers are related to the increase in juvenile delinquency and youth criminality, especially within the school environment itself. Within this framework, violent behaviors observed in the school environment are not interpreted as isolated deviations or as resulting exclusively from students’ moral failures, but rather as expressions of broader social processes related to the organization (or disorganization) of urban space, territorial dynamics, and the weakening of informal social control mechanisms. It is therefore concluded that the Chicago School makes it possible to understand school violence not as an isolated phenomenon or one restricted to individual conduct, but as a manifestation of structural processes of inequality, urban fragmentation, and the weakening of community networks—central aspects for the formulation of preventive public policies. From a methodological perspective, the present study was conducted through documentary research supported by a bibliographic review on school violence from the perspective of the Chicago School.

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MOTTA, Beatriz Soranzzo. Violência escolar e criminologia: contribuições da Escola de Chicago. 2026. 131 f. Dissertação (Mestrado em Direito) - Programa de Pós-Graduação em Ciências da Religião, Escola de Ciências Humanas, Jurídicas e Sociais, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, Campinas, 2026.

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